quarta-feira, 29 de junho de 2011

Burocracia

O choro não é mais válido
Chegou com minutos de atraso

O abraços serão devolvidos
Foram encaminhados sem o devido carimbo

A beleza do sorriso permanecerá oculta
Não se desvendou a chave de leitura

Enfrenta dificuldades o coração
Traz, em sua assinatura,
Um vistoso borrão
S.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

sábado, 28 de maio de 2011

Instante


Marcha da Liberdade, São Paulo, 28 de maio de 2011.
S.

Invasão

Ele leu a chamada na primeira página: "Governo investe milhões para conter avanço imobiliário na orla". Olhou novamente. Não, não era exatamente essa a manchete. Leu de novo: "Governo aprova projeto de contenção do avanço imobiliário". Não. Ele percebeu que não havia passado os olhos nessas palavras. O papel registrava uma informação diferente. Mas ele tinha dificuldade. Deu a si mesmo mais uma chance: "Avanço imobiliário com os dias contados".

- Merda! - pensou ele.

- Será que não vou conseguir ler essas linhas? - cobrou-se em silêncio.

Quatro. Cinco. Nove vezes. E nada de conseguir decifrar a manchete do jornal. Aflito, ele começou a crer que havia algo de errado com ele.

Havia um problema, de fato. (link)
S.

terça-feira, 24 de maio de 2011

A má educação

A moda do reaça
Texto de Marcelo Rubens Paiva

Como comentou uma leitora, Natália, no post anterior:

Cara, acho tão engraçada essa mania das pessoas de falarem com orgulho que são “politicamente incorretas” quando dizem absurdos… o sujeito vem, fala um monte de merda e diz que faz isso porque é inteligente (é um livre pensador, não segue o pensamento burro e dirigido das massas, etc) e porque não liga de ser “politicamente incorreto” porque afinal esse é o certo, a sociedade de hoje que está deturpada.


Eu tinha pensado na mesma coisa.

O governador e o secretário municipal de segurança reconheceram que tanto a PM quanto a Guarda Municipal exageraram na repressão à MARCHA DA MACONHA, que virou MARCHA PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO.

Alckmin chegou a dizer que não compactua com a ação da PM na Marcha.

Mas muitos leitores e alguns blogueiros continuam achando que o certo mesmo era enfiar o cacete nos manifestantes.

PMs que tiraram a identificação, para baterem numa boa.

A onda agora é ser bem REAÇA.

Se é humorista, e uma piada ultrapassa o limite do bom gosto, diz ser adepto do ideal do politicamente incorreto.

Que babaca é fazer censura contra intolerância.

Pode zoar com judeu, gay, falar palavrão, é isso, que se foda, viva a liberdade!

Se alguém defende a Marcha da Maconha, faz apologia, é vagabundo.

Se defende a descriminalização do aborto, é contra a vida.

Se aplaude a iniciativa da aprovação da união homossexual, quer enviadar o Brasil todo, país que se orgulha de ser bem macho, bem família!

Se defende a punição de torturadores, é porque pactua com terroristas que só queriam implodir o estado de direito e instituir a ditadura do proletariado.

Deu, né?

Esta DiogoMainardização da imprensa e da pequena burguesia brasileira tem um nome na minha terra: má educação.


Continua aqui.
S.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

De vidas que não me pertencem (ep. 02)

- Ganhasse na Mega-Sena, foi??
(risos)
- Me dá uma moto! Só quero uma moto!
- O quê, tu vai me dar uma casa, é??
(risos)

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- Tás indo pra onde?
- Pra festinha das mães, na escola de Mariana.
- Ah, sim.
- E pelo o que eu paguei, espero que tenha um banquete lá!

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- Que bicho otário da porra!
- Ela falou na cara dele, e ele nada!
- Safada!
- Agora virou motivo de chacota dos caras!
- Mané!

S.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Aquário


Da série: "Cocô também tem o direito de fazer umas comprinhas"

Fonte: Acerto de Contas (link)
S.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

sábado, 16 de abril de 2011

De vidas que não me pertencem (ep. 01)

- Menina, deixa eu te contar uma novidade... pintei as unhas de vermelho!
(risos)
- Tá bem cheguei! (...) Foi...!
- Eu sempre gostei, meu namorado que não gosta muito...
- Gosto porque chama a atenção... tá bem sensual...!

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- Quando chegar em casa vou jogar perfume na minha boca!
- Por quê?
- Pra ver se tiro esse cheiro do cigarro.
- Compra pastilha, pô!

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- Tás fazendo o quê por aqui?
- Vim aqui no hospital, pra fazer uns exames. Só faz aqui.
- Ah, sim. Tás morando por aqui, é?
- É, aqui por trás dessa rua...
- E como tá o pessoal lá?
- Tão bem! Um dia desses a Ângela tava falando da tua esposa!
(risos)
- Eita, acho que vou pegar esse ônibus mesmo!
- Vai, lá, rapaz! Vai com Deus!
- Fica com Ele também!

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- Me dá só um desses, vai...!
- Não!
- Mas eu queria um...!
- E um murro na cara?
S.

Nanda

Pior do que perder para a fatalidade, é perder para a estupidez.

Fica em paz, Nanda.
S.

domingo, 10 de abril de 2011

Nazidiotice

Era só o que faltava.

Neonazistas brasileiros (!) vão às ruas defender os valores e a moral da família. Xingar e espancar as pessoas que eles julgam inferiores entra na lista desse código de nobreza? De quebra, ainda resolveram defender um deputado. Adivinha quem?

Atenção para a alvíssima coloração da pele dos indivíduos. (link)

S.

Realengo

A maior demonstração de respeito pelas famílias das vítimas da tragédia em Realengo é tão prosaica quanto fácil: simplesmente deveríamos deixá-las em paz. E nesse caso, a palavra "paz" se torna ainda mais simbólica. O comportamento da imprensa no caso foi (e tem sido) profundamente vergonhoso. Confesso que pouco sei do episódio, e pouco saberei, pois me nego a acompanhar a cobertura sanguessa de boa parte da mídia.

Impressionante o baixíssimo nível dos "profissionais" da Comunicação, vomitando milhões de suposições, espalhando boatos, alimentando o ódio e a intolerância, multiplicando a ignorância. De onde saem tantos "especialistas"? Tanta gente cheia de explicações para um desastre que absolutamente NINGUÉM poderia prever? A dura realidade é essa: apenas o Wellington (claramente uma pessoa com graves problemas psíquicos) sabia o que estava para acontecer. Nenhum doutor, com trezentos diplomas e quinhentos anos de carreira evitaria o inevitável. O que o país presenciou foi uma fatalidade.

Durante cerca de cinco minutos, ao parar em uma padaria nas proximidades de casa, assisti surpreso ao desfile de imagens tristes, com repórteres fazendo perguntas inconvenientes a familiares ainda chocados. Câmeras grudadas em rostos angustiados. Helicópteros sobrevoando a unidade escolar, filmando o vazio, apenas para que relembrássemos ininterruptamente do caos. Nenhum respeito à dor alheia. Para mim foi mais do que eu precisava ver. Atônito, ainda tive que ouvir a Fátima Bernardes, com aquela cara de mãe de família brejeira, reservar o epíteto de "assassino" para o autor dos tiros, como se a desqualificação fosse uma forma de trazer justiça.

Cabe à Comunicação Social trazer ao público informações objetivas. Não é papel dela insuflar os ânimos da sociedade, ainda mais em casos de grande repercussão e de forte carga emocional, como foi o caso do tiroteio na escola carioca. Contudo, cada emissora, cada revista, cada jornal decidiu escolher seu adjetivo favorito, para expor na capa. E aos nossos olhos, tudo aconteceu por causa de um "monstro", um "louco", ou um "assassino frio". A imprensa deve buscar o equilíbrio nos momentos em que o chão é sacudido, argumentos nos momentos em que a violência parece iminente, fatos concretos nos momentos em que os boatos tomam força.

Ainda que não tenho alcançado a paternidade, reconheço que é uma dor absurda perder um filho da forma como tudo aconteceu naquela escola. Por outro lado, não pretendo com esse texto isentar o Wellington da responsabilidade pelo que ocorreu (se é que ele tinha essa consciência). No entanto, se buscarmos a razão, ela nos dirá que todos, incluindo o autor dos disparos, foram vítimas de uma tragédia sem vilões.
S.

terça-feira, 29 de março de 2011

Jogo do bilhão de erros


Absoluta demonstração de incompetência e despreparo. Ele não está vendo que a garotinha realmente perigosa é a que está segurando a mão esquerda da mãe? Afinal, ela está à ESQUERDA. No mínimo é uma subversiva. ¬¬

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Sarcasmo à parte, esse registro do Pedro Kirilos (Agência O Globo), é uma das imagens mais absurdas que vi na vida. Está tudo errado. A truculência e a imbecilidade de um agente policial que borrifa spray de pimenta em crianças são de causar náuseas, até mesmo em um país como o nosso, que se habituou a esse tipo de atitude.

Enquanto nós (tanto os que sofrem, quanto a classe média que não sente na pele) não cobrarmos decência, tratamento digno e justiça para TODOS, coisas assim vão continuar acontecendo. Enquanto acharmos que isso é natural, a impunidade vai apenas se multiplicar. Daqui a três dias o golpe de 1964 completará 47 anos, e nenhum indivíduo que, a mando do Estado, torturou e matou civis foi punido até hoje. Ao contrário do que militares com mãos sujas de sangue e sabujos da imprensa afirmam, isso não é vingança. É justiça. Enquanto o país não tomar a coragem de discutir, revirar e encarar o período mais obscuro da nossa história, coisas tristes assim nunca deixarão de existir em nossas cidades, em nossas esquinas. Em nossas casas. É essa espécie de bomba de efeito retardado que anima gente como o Jair Bolsonaro e os milicos de pijama que chamam o golpe de "Revolução Democrática".

E ainda dizem que a Comissão da Verdade é desnecessária.

(Obs: A imagem acima foi publicada na seção Retratos Capitais, da edição 639 da revista CartaCapital)
S.