segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O lado bom do capitalismo


2001, de Stanley Kubrick, por R$ 16,99. Disponível na mesma loja em que o DVD do Padre Fábio de Melo custa R$ 35,00.
S.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Transporte público: discutindo a discussão [adendo]

Texto publicado no Nassif, lido após a conclusão do meu texto.

O custo social da precarização do transporte urbano (link)
por Neves

O custo social da precarização dos transportes urbanos é imenso. As classes médias e abastadas pensam que a coisa não é com elas. Não se comovem com o povão espremido como sardinha na lata, transportado aos solavancos como gado, preferem a fuga individual. Não basta mais o carro da família, é necessário agora o segundo, o terceiro, o quarto carro... conforme a garotada atinja a maioridade e tenha que se deslocar para a faculdade e as baladas. Os muito ricos escapam de helicóptero. Brasileiro abastado ou remediado só anda a pé ou em coletivos na cidade, quando está no exterior; por aqui pesa um certo sangue azul, de quem se sente mal junto ao populacho dentro do busão - ah, o cheiro do povo! - há uma memória atávica das liteiras, dos tempos coloniais.

Eles pagam o custo direto, multiplicado por cada veículo, dos financiamentos, da gasolina, da manutenção, dos seguros, do estacionamento, do flanelinha, do IPVA, da indústria da multa e da propina. Parou aí? Não, tem mais. Eles percebem que o apartamento espaçoso herdado dos pais é do tempo que havia um carro por família, uma garagem; a degradação recente das cidades, principalmente dos equipamentos de transporte coletivo, criou a "necessidade" do mínimo de três por família; são tangidos para mudarem para os novos e carésimos apartamentos-cafuas, com área "útil" engordada pelas três garagens, o conforto do carro vale mais. Mas ainda não acabou. Uma cidade atrolhada de carros "precisa" de muitas obras para garantir os custos de campanha de prefeitos e verroedores, com as devidas sobras de campanha, é claro. E toma de viadutos, pontes, túneis, alargamento de avenidas, todos os apetrechos do rodoviarismo urbano, que tem por finalidade, encurtar a distância entre um engarrafamento e outro; a conta descarrega no IPTU. E o custo da aporrinhação? Desde as formalidades burocráticas do DETRAN aos engarrafamentos; da poluição diuturnamente inalada e das horas intermináveis perdidas no trânsito; da vida que esvai na observação tediosa da mesma paisagem urbana, sob a tensão nervosa da ansiedade, a Lesma Lerda, a imagem do motorista que arrasta sua concha, a extensão de sua casa.

Até cidades de tamanho médio no interior do Brasil convivem com engarrafamentos, sem qualquer esperança de que um dia o trânsito melhore. Nada melhora quando a prioridade urbana é ofertada ao automóvel como meio de transporte, ele tem de voltar a ser o que aparece nos papéis oficiais: veículo de passeio, para o lazer como regra e transporte como exceção. Não podemos fazer as cidades escravas de obras dedicadas ao rodoviarismo urbano, nenhuma resolve, apenas cria necessidade de outra, é pura ilusão malandramente aproveitada por demagogos. O que diminui engarrafamentos é transporte coletivo eficiente, combinado com restrições ao uso do automóvel nos centros urbanos; é assim que funciona em cidades mais civilizadas do que as nossas.

O transporte coletivo é uma tragédia nacional. O modelo está falido como propósito social, serve apenas aos empresários e agentes públicos envolvidos na mamata; é um monumento de irracionalidade, atraso de vida e desperdício de recursos. Pagamos preço demasiado alto pela omissão do assunto no centro das questões nacionais. O Congresso e as autoridades federais fingem que, um problema que afeta dezenas de milhões de brasileiros em várias cidades é um problema municipal. Urge que se investigue a questão na esfera federal e apresentem uma proposta de soluções e correções.
S.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O milagre da hipocrisia

Dilma precisa explicar suas convicções, diz ministro do Vaticano (link)
Alçado repentinamente à condição de um dos principais nomes da Igreja Católica no mundo, dom João Braz de Aviz, arcebispo de Brasília, afirma que a presidente Dilma Rousseff (PT) precisa explicar melhor o que pensa a respeito de certos assuntos caros à igreja.

"Não temos uma ideia clara de quem é Dilma do ponto de vista religioso. Ela precisa explicar melhor as suas convicções religiosas para que o diálogo possa progredir."

Segundo Aviz, 63, as posições sobre o aborto que Dilma expressou durante as eleições não necessariamente representam o que acontecerá sob seu governo: "Durante a campanha é uma coisa, e na prática o caminho às vezes é outro".

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Vaticano pediu a bispos irlandeses que não denunciassem abusos (link)
Uma carta do Vaticano de 1997 recém-revelada pedia para bispos irlandeses não reportarem à polícia todos os casos de suposto abuso infantil. A divulgação da carta pode levar à abertura de mais processos contra a Igreja Católica em todo o mundo, que nega qualquer envolvimento com acobertamento dos casos.

A carta, obtida pela emissora irlandesa RTE e fornecida para a Associated Press, documenta a rejeição do Vaticano de uma iniciativa da Igreja irlandesa de começar a ajudar a polícia a identificar padres pedófilos.

A mensagem da carta debilita as persistentes afirmações do Vaticano de que a Igreja nunca instruiu bispos a reter evidência ou suspeita de crimes da polícia. Ela enfatiza o direito da Igreja de lidar com todas as alegações de abuso infantil e determinar punições, ao invés de delegar esse poder às autoridades civis.

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Qual das instituições levar a sério? A que cobra convicções ou a que encobre pedófilos?
S.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Transporte público: discutindo a discussão

Mais um aumento das passagens goela abaixo. E mais uma vez, tudo vai continuar do mesmo jeito, até que o próximo reajuste nos alcance. Mas, se nada muda, é preciso refletir sobre o que há de errado na atitude dos descontentes - ou seja, a maioria da população (inclusive aquela população que fica puta com os protestos). A minha linha de raciocínio, registre-se, não tem um suporte científico. As linhas dessa postagem vêm de uma percepção essencialmente particular. Por que nada muda? Por que o serviço só piora a cada ano? Quais cobranças não estão sendo feitas? Os protestos são manifestações profundamente legítimas, mas estão perdendo força. É preciso avançar, e buscar questionar o que a maioria deixa passar em brancas nuvens. Separei a reflexão em três pontos:

Juventude
Uma das maiores fatias de pessoas atingidas pelo aumento é feita de estudantes, de gente jovem, pessoas que normalmente têm não só disponibilidade, mas disposição para cobrar e questionar. Mas onde está essa parcela? Desconte-se o fato do reajuste malandramente ocorrer em janeiro (período de férias), quando muitos não estão na cidade. Mas é preciso se perguntar o por quê da juventude não só do Recife, mas desse país, se encontrar tão desmobilizada e tão despolitizada. Pelo contrário, tenho percebido que a juventude brasileira está, além de apática, se transformando em um assustador monstro feito de conservadorismo e mediocridade. E aí estão os ataques homofóbicos na Av. Paulista, a Mayara Petruso e os que pediram um tiro na cabeça da Dilma para comprovar. Hoje, a parcela mais jovem da nação não tem interesse por política, literatura, história, ou nada que a humanize. Está sim, interessada em virar uma subcelebridade qualquer, em discutir sobre as pendengas do reality show do momento, e em escrever bobagens na internet de maneira inconsequente. É preciso pensar uma forma de mobilizar esses zumbis, e de expor os jovens que questionam o status quo, para que sirvam de exemplo, pois eles também existem.

Mídia
Em uma sociedade midiatizada como a nossa, é impossível não considerar a relevância da imprensa em relação ao debate democrático. E nesse ponto, sejamos honestos, ela peca horrendamente. Focando exclusivamente sobre a questão das tarifas de ônibus, fica claro que a mídia precisa rever sua posição/abordagem. Os jornais e as emissoras de TV precisam entender que o conflito empresas de ônibus X manifestantes não pode ser resumido apenas a uma questão policial, e que os estudantes somente atrapalham o trânsito. Onde estão as matérias investigativas, sobre quem são os donos, e qual o faturamento das empresas? Há quanto tempo eles possuem licença para explorar esse serviço? Essas licenças ainda são válidas? Eu não sei, pois são informações criminosamente negadas à população. Até quando as pessoas terão que andar nessas carroças que o transporte público oferece? Ora, não é preciso ser nenhum Ph.D. para entender que, à medida que a tarifa do transporte público aumenta, e o serviço não melhora, mais e mais pessoas irão buscar formas alternativas de locomoção. E tome ruas mais cheias de carros e motos - e com isso, mais acidentes, mais poluição, mais estresse. Até o dia da paralisação total. E o governo, em tese, deveria ter gente especializada para evitar esse tipo de cenário apocalíptico. Se não há uma ação consciente do estado, cabe à imprensa cobrar esse tipo de atuação. Matérias sensacionalistas e do tipo Jornalismo-Espetáculo, com um minuto de duração, mostrando o trânsito parado, policiais na manifestação e estudantes entoando frases de efeito não colaboram em absolutamente nada.

Concessões
De cara, considero como algo bastante questionável a exploração privada do serviço de transporte público. O direito de ir e vir, assim garantem as leis, é essencial. Para que todo e qualquer cidadão desse país possa ter acesso aos hospitais, escolas, praças, museus, entre outros ambientes públicos, ele precisa, antes de mais nada, ter garantido o acesso a algum meio de transporte. Se esse direito é corrompido por qualquer motivo, todo o resto da estrutura é afetado. Não faz sentido submeter uma área fundamental para a cidadania, e para a própria urbanização das cidades, aos interesses inconfessáveis de uns poucos nababos, interessados em lucros obscenos, garantidos por um serviço do qual poucas pessoas podem prescindir. Isso é uma afronta ao bom senso. Para que servem as Secretarias e os Ministérios? Seria necessária uma completa reforma da regulamentação do transporte público, onde o estado investiria de forma pesada, podendo inclusive, estabelecer uma concorrência com os prestadores privados. Por incrível que pareça, falta capitalismo no négocio do transporte público. Sob meu ponto de vista, essa seria uma verdadeira revolução. Entretanto, para que isso aconteça, muitas verdades terão de ser trazidas à luz. Se seguirmos o dinheiro, veremos que muitas campanhas eleitorais (principalmente as municipais) são financiadas por... surpresa!, proprietários de empresas de ônibus. É por isso que a discussão precisa ser retirada dos gabinetes refrigerados e trazida para o asfalto, para que a população aponte o tipo de transporte público que deseja. Contudo, poucos têm se dedicado a pensar além da superfície, infelizmente. Vejo apenas ônibus quentes, lotados, e com alguns poucos balbuciando uma reclamação, de forma até meio envergonhada.

Repito, os protestos são legítimos, e é bom que eles aconteçam. Mas é desalentador descobrir que muitos dos que sofrem com o caos torcem o nariz para as manifestações, chegando a chamar os participantes de vagabundos e arruaceiros. Uma posição infeliz, de quem não entende que os protestos não têm um fim em si mesmo. Eles são parte de um problema maior, são consequência de um sistema viciado e corroído.
S.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Dois sóis

Dois sóis flutuam no céu
E trazem até o rosto dela
O sorriso
por tanto tempo escondido
Encarcerado

Dois sóis dançam na atmosfera
E trazem ao rosto dela
A insegurança

Qual das luzes que banham a tua pele
Carrega a melhor lembrança?
S.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Enfim

E o mundo ganha mais um graduado.

(Postagem oficialmente atrasada em um dia, por um motivo nobre: a celebração)

Mais um ciclo se encerra. Após muitas noites mal-dormidas, bloqueios produtivos, dúvidas, angústia e tensão, consegui. Garanti o meu diploma. O que explica (tirando a preguiça ocasional) o desleixo com o blog, que, espero eu, retorne aos poucos à vida habitual. Engraçado se reconhecer naquela fase tão comentada por todos que atravessam esse processo: a fase em que tudo gira em torno do projeto, a fase em que os prazos ameaçam nos engolir, a fase em que o sono é apenas um intervalo entre uma dor de cabeça e a sensação de inaptidão.

Por outro lado, poucas coisas dão um prazer tão agradável quanto as horas após o instante em que você ouve a sua nota anunciada. Com o perdão da expressão desgastada, a sensação de um peso que se retira dos ombros é real. Curioso também perceber que boa parte desse júbilo vem do semblante das pessoas próximas. Familiares, amigos, parentes, vizinhos, colegas de trabalho. Perceber a felicidade instalada dentro dos olhos de cada um no momento em que nos parabenizam é uma espécie de bônus à aprovação acadêmica. Pelo menos o reconhecimento daqueles que parabenizam com sinceridade. =)

Bom terminar o ano assim. Ano que, de certa forma, mostrou-se generoso para esse humilde Comunicador Social. E que dois mil e onze apareça.
S.

sábado, 20 de novembro de 2010

Aspas

Janela sobre o corpo

A Igreja diz: O corpo é uma culpa.
A ciência diz: O corpo é uma máquina.
A publicidade diz: O corpo é um negócio.
O corpo diz: Eu sou uma festa.

(Eduardo Galeano)
S.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Caixa de Pandora da Vergonha

Clarificou-se.

A última campanha eleitoral abriu a Caixa de Pandora da Ignomínia. E dela saíram xenófobos, neonazistas, homofóbicos, extremistas religiosos, fascistas de toda ordem. Gente que, sem o mínimo de pudor, resolveu vomitar seu assustador ódio, seus rancores, seus preconceitos de gênero e de classe, como se toda a desgraça humana pertencesse a específico um grupo social. Gente que sempre existiu, mas que, incentivada pela última campanha medíocre da direita, não se furtou a mostrar a cara.

Se por um lado foi satisfatório ver algumas máscaras caindo, por outro, foi desanimador observar a completa falta de racionalidade (e de inteligência) desses cachorros raivosos. O que deveria ser a regra, como argumentos sólidos, lógica e bom senso, é preterido. Parte-se para a baixaria e para o escárnio. O mais incrível é que essas pessoas acreditam que a pura e simples desqualificação possa cumprir a tarefa de defender uma idéia, um ponto de vista. Confundem polêmica com grosseria. Acidez com burrice.

O vídeo abaixo é uma das coisas mais vergonhosas que eu já vi em toda a minha vida. Em alguns momentos custo a crer que esse "comentarista" realmente existe. E que acredita no que diz. O que faz um ser dessa natureza ter espaço em um telejornal? O que a RBS (canal afiliado da Globo em Santa Catarina) tem a dizer sobre isso? É pra isso que serve a famigerada liberdade de expressão? E os coleguinhas de bancada, compartilham dessa lógica animalesca? É um espetáculo nauseante. Fico cá a imaginar o que aconteceria se esse tipo de gente assumisse o poder no país.

Créditos: Cloaca News, onde é possível assistir ao vídeo em link alternativo.

"Culpa desse governo espúrio que resolveu dar crédito fácil a quem nunca leu um livro..."

S.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Prazos

Prazos.
Prazos têm cheiro forte.
Cheiro das coisas que sangram.
Mas nunca chegará o dia em que eles terão o desenho dos teus olhos.
Prazos nunca vão ter
a leveza do teu nome.
S.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Social-obscurantismo

A campanha do Serra conseguiu injetar ódio em uma sociedade tolerante e conservadorismo no país do Carnaval. Com mais seis meses, deixaremos de ser a nação do futebol para ser a do bingo.
S.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Nova nau

14 de outubro de 2010. O dia em que me rendi ao Twitter.

(O que não quer dizer que o blog morreu.)
S.