segunda-feira, 14 de março de 2011

Picadeiro

Rede Globo exibe, no Fantástico, matéria sobre prostituição em cidades do Nordeste, e choca a família brasileira. Minutos depois, leva ao ar o maior exemplo de devassidão, subcultura e nulidade da TV - o BBB - para a alegria da família brasileira.

PS: De acordo com as leis brasileiras, a prostituição em si não é entendida como crime, e sim a sua exploração, por parte de aliciadores.
S.

sábado, 12 de março de 2011

Egolombra

Da série: "Gente que se acha o centro do universo"

(clique para ampliar)

Norte-americanos vinculam o terremoto/tsunami que destruiu cidades do Japão a uma espécie de "resposta divina" ao ataque nipônico à base militar de Pearl Harbor em 1941. Isso é o que eu chamo de egolombra.

Imagem enviada via Twitter pelo Latuff (@CarlosLatuff).
S.

A (anti)política de Bento

O Cristo que vive entre nós
Texto de Mauro Santayana


O papa Bento 16, na biografia de Cristo que acaba de publicar, decretou, de sua cátedra, que Cristo separara a religião da política. Mais do que isso, participa de um dos equívocos de São Paulo – porque até os santos se enganam – o de que, se Cristo não ressuscitou de entre os mortos, “vã é a nossa fé”. Cristo ressuscitou dos mortos, não em sua carne perecível, mas em sua grandeza transcendental. O papa insiste – e nessas insistências a Igreja sempre se perdeu – em que o corpo de Cristo ainda existe, em toda a fragilidade da carne, em algum lugar, ao lado de Deus. Com isso, o Santo Padre separa Cristo da humanidade a que ele pertence, e o situa no espaço da mitologia dos deuses pagãos.

A afirmação mais grave do Papa, de acordo com o resumo de suas idéias, ontem divulgadas, é a de que política e religião são instituições separadas a partir de Cristo. A própria história do Vaticano o desmente. A Igreja Católica – e todas as outras confissões religiosas – sempre estiveram a serviço do poder político, e em sua expressão mais desprezível. Para não ir muito longe na História – ao tempo da associação entranhada entre os reis, os imperadores e o Vaticano, durante a Idade Média -, bastam os exemplos de nosso século. Os documentos existentes demonstram o apoio da Igreja a ditadores como Hitler, considerado, por Pio XII, como “um bom católico”. Mais recentemente ainda, houve a “Santa Aliança”, conforme a denominou o jornalista norte-americano Bob Woodward, entre o antecessor de Ratzinger e o presidente Reagan, dos Estados Unidos, com o propósito definido de acabar com a União Soviética. Por acaso não se trata de uma escolha política do Vaticano a rápida canonização do fundador da Opus Dei, como santo da Igreja, e o esquecimento de grandes papas, como João 23, e de mártires da fé, como o bispo Dom Oscar Romero, de El Salvador?

A religião sempre esteve na origem e na inspiração da política, e, em Cristo, essa identidade comum se torna ainda mais nítida. O campo da razão em que a fé e a política se encontram é o da ética. A ética é uma exigência da fé em Deus e do compromisso com a vida humana. A política, tal como a identificaram os grandes pensadores, é a prática da ética. A ética política significa a busca do bem de todos. Nessa extrema exegese do que seja a ética, como o fundamento da justiça, a boa política é a da esquerda, ou seja, da visão de igualdade de todos os homens.

Em Cristo, a fé é o instrumento da justiça. Quem quiser confirmar esse compromisso político de Cristo, basta ler os Atos dos Apóstolos, e verificar como viviam as primeiras comunidades cristãs, unidas pela absoluta fraternidade entre seus membros, enfim, uma sociedade política perfeita. Ao negar a essencial ligação entre a fé cristã e a ação política, o papa vai além de seu velho anátema contra a Teologia da Libertação, surgida na América Latina, um serviço que ele e Wojtyla prestaram, com empenho, aos norte-americanos. Ele se soma aos que, hoje, ao separar a política da ética da justiça, decretam o fim da esquerda.

Esse discurso – o de que não há mais direita, nem esquerda – vem sendo repetido no Brasil. Esquerda e direita, ainda que a denominação venha da França revolucionária de 1789, sempre existiram. Na Palestina, no tempo de Jesus, a esquerda estava nos pescadores e pecadores que o seguiam, e a direita nos “fariseus hipócritas”, que, no Sinédrio, e a serviço dos romanos, o condenaram à morte.

O papa acredita que a Igreja sobreviverá à crise que está vivendo. Isso é possível se ela renunciar a toda sua história, a partir de Constantino, e retornar ao Cristo que andava no meio do povo, perdoava a adúltera, e chicoteava os mercadores do templo. O Cristo que ressuscitou dos mortos está ao lado dos que vêem a fé como a realização da justiça e da igualdade, aqui e agora.
S.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Departamento de Diplomacia Ingênua


Desde os primeiros documentos revelados pelo Wikileaks, ficou explícita a relação promíscua entre os diplomatas norte-americanos e representantes da política entreguista dos países emergentes. Para quem costuma se informar além do telejornal da Rede Globo e da revista da Editora Abril, nada muito surpreendente. De toda forma, é impossível não abrir um sorriso ao observar documentos oficiais da chancelaria gringa confirmarem que os partidos políticos de direita e a imprensa conservadora são meros paus-mandados de Washington. Símbolos de servilismo e vergonha.

Os últimos papéis, inclusive, revelam que os diplomatas, em busca de informações sobre o cenário político nacional e as eleições do ano passado, correram até representantes da oposição, e só. Para completar, ouviram declarações do especialista em análise política Diogo Mainardi, um mestre em não acertar nenhum prognóstico, mas tratado pelos ianques como um "importante colunista político". O mais engraçado é imaginar que os amérika confiaram em um relatório construído com declarações do FHC, do Serra e do Mainardi - que, por sinal, escrevia suas pseudocolunas orientado pelo eterno-quase-futuro-presidente (toc, toc, toc).

Quem integra esse corpo diplomático dos EUA? Os Teletubbies?
S.

Pelo em ovo

Abro a página do UOL e leio a alarmante manchete: "Pelo Twitter, ministra divulga mensagem com críticas a Lula e a Sarney". Atraído pelo potencial explosivo da matéria, lá vou eu clicar no link. Descubro, então, que a ministra de Comunicação Social retransmitiu uma mensagem de outra pessoa. Uma crítica, por sinal, de conteúdo absolutamente genérico - quase inofensivo. Daquele tipo de resmungo que a gente lê aos montes nos fóruns de internet.

Essa mania do pessoal da Folha/UOL de criar caso com toda e qualquer besteira relacionada a integrantes do governo - seja ele de qualquer ordem ideológica - é rídicula. Não existe ninguém com bom senso nas redações, pra dar um alerta? No fim do texto, mencionam que a ministra diz que o episódio foi um engano. Ainda que não fosse, seria exagero ver algo demais na mensagem.

Fica a impressão de que é apenas uma brincadeira do pessoal da Folha, pra divertir os buldogues rancorosos de plantão, sempre prontos a babar nas caixas de comentários.
S.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Registro

Show de BNegão & Seletores de Frequência + Gerson King Combo, ontem, no Pátio de São Pedro, foi histórico. Quem viu, viu. Quem não viu, foi mal aí.
S.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Pret a potaqueopariu

Enxovalharam o Galliano (que eu não conhecia até anteontem) por manifestações de antissemitismo. Beleza. Por outro lado, posso enxovalhar o mundo da alta moda que idolatra um cara com naipe de vilão de desenho animado? Por essa régua, até os cães vira-lata aqui da rua ganharam um charme. Pano rápido.
S.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O lado bom do capitalismo


2001, de Stanley Kubrick, por R$ 16,99. Disponível na mesma loja em que o DVD do Padre Fábio de Melo custa R$ 35,00.
S.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Transporte público: discutindo a discussão [adendo]

Texto publicado no Nassif, lido após a conclusão do meu texto.

O custo social da precarização do transporte urbano (link)
por Neves

O custo social da precarização dos transportes urbanos é imenso. As classes médias e abastadas pensam que a coisa não é com elas. Não se comovem com o povão espremido como sardinha na lata, transportado aos solavancos como gado, preferem a fuga individual. Não basta mais o carro da família, é necessário agora o segundo, o terceiro, o quarto carro... conforme a garotada atinja a maioridade e tenha que se deslocar para a faculdade e as baladas. Os muito ricos escapam de helicóptero. Brasileiro abastado ou remediado só anda a pé ou em coletivos na cidade, quando está no exterior; por aqui pesa um certo sangue azul, de quem se sente mal junto ao populacho dentro do busão - ah, o cheiro do povo! - há uma memória atávica das liteiras, dos tempos coloniais.

Eles pagam o custo direto, multiplicado por cada veículo, dos financiamentos, da gasolina, da manutenção, dos seguros, do estacionamento, do flanelinha, do IPVA, da indústria da multa e da propina. Parou aí? Não, tem mais. Eles percebem que o apartamento espaçoso herdado dos pais é do tempo que havia um carro por família, uma garagem; a degradação recente das cidades, principalmente dos equipamentos de transporte coletivo, criou a "necessidade" do mínimo de três por família; são tangidos para mudarem para os novos e carésimos apartamentos-cafuas, com área "útil" engordada pelas três garagens, o conforto do carro vale mais. Mas ainda não acabou. Uma cidade atrolhada de carros "precisa" de muitas obras para garantir os custos de campanha de prefeitos e verroedores, com as devidas sobras de campanha, é claro. E toma de viadutos, pontes, túneis, alargamento de avenidas, todos os apetrechos do rodoviarismo urbano, que tem por finalidade, encurtar a distância entre um engarrafamento e outro; a conta descarrega no IPTU. E o custo da aporrinhação? Desde as formalidades burocráticas do DETRAN aos engarrafamentos; da poluição diuturnamente inalada e das horas intermináveis perdidas no trânsito; da vida que esvai na observação tediosa da mesma paisagem urbana, sob a tensão nervosa da ansiedade, a Lesma Lerda, a imagem do motorista que arrasta sua concha, a extensão de sua casa.

Até cidades de tamanho médio no interior do Brasil convivem com engarrafamentos, sem qualquer esperança de que um dia o trânsito melhore. Nada melhora quando a prioridade urbana é ofertada ao automóvel como meio de transporte, ele tem de voltar a ser o que aparece nos papéis oficiais: veículo de passeio, para o lazer como regra e transporte como exceção. Não podemos fazer as cidades escravas de obras dedicadas ao rodoviarismo urbano, nenhuma resolve, apenas cria necessidade de outra, é pura ilusão malandramente aproveitada por demagogos. O que diminui engarrafamentos é transporte coletivo eficiente, combinado com restrições ao uso do automóvel nos centros urbanos; é assim que funciona em cidades mais civilizadas do que as nossas.

O transporte coletivo é uma tragédia nacional. O modelo está falido como propósito social, serve apenas aos empresários e agentes públicos envolvidos na mamata; é um monumento de irracionalidade, atraso de vida e desperdício de recursos. Pagamos preço demasiado alto pela omissão do assunto no centro das questões nacionais. O Congresso e as autoridades federais fingem que, um problema que afeta dezenas de milhões de brasileiros em várias cidades é um problema municipal. Urge que se investigue a questão na esfera federal e apresentem uma proposta de soluções e correções.
S.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O milagre da hipocrisia

Dilma precisa explicar suas convicções, diz ministro do Vaticano (link)
Alçado repentinamente à condição de um dos principais nomes da Igreja Católica no mundo, dom João Braz de Aviz, arcebispo de Brasília, afirma que a presidente Dilma Rousseff (PT) precisa explicar melhor o que pensa a respeito de certos assuntos caros à igreja.

"Não temos uma ideia clara de quem é Dilma do ponto de vista religioso. Ela precisa explicar melhor as suas convicções religiosas para que o diálogo possa progredir."

Segundo Aviz, 63, as posições sobre o aborto que Dilma expressou durante as eleições não necessariamente representam o que acontecerá sob seu governo: "Durante a campanha é uma coisa, e na prática o caminho às vezes é outro".

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Vaticano pediu a bispos irlandeses que não denunciassem abusos (link)
Uma carta do Vaticano de 1997 recém-revelada pedia para bispos irlandeses não reportarem à polícia todos os casos de suposto abuso infantil. A divulgação da carta pode levar à abertura de mais processos contra a Igreja Católica em todo o mundo, que nega qualquer envolvimento com acobertamento dos casos.

A carta, obtida pela emissora irlandesa RTE e fornecida para a Associated Press, documenta a rejeição do Vaticano de uma iniciativa da Igreja irlandesa de começar a ajudar a polícia a identificar padres pedófilos.

A mensagem da carta debilita as persistentes afirmações do Vaticano de que a Igreja nunca instruiu bispos a reter evidência ou suspeita de crimes da polícia. Ela enfatiza o direito da Igreja de lidar com todas as alegações de abuso infantil e determinar punições, ao invés de delegar esse poder às autoridades civis.

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Qual das instituições levar a sério? A que cobra convicções ou a que encobre pedófilos?
S.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Transporte público: discutindo a discussão

Mais um aumento das passagens goela abaixo. E mais uma vez, tudo vai continuar do mesmo jeito, até que o próximo reajuste nos alcance. Mas, se nada muda, é preciso refletir sobre o que há de errado na atitude dos descontentes - ou seja, a maioria da população (inclusive aquela população que fica puta com os protestos). A minha linha de raciocínio, registre-se, não tem um suporte científico. As linhas dessa postagem vêm de uma percepção essencialmente particular. Por que nada muda? Por que o serviço só piora a cada ano? Quais cobranças não estão sendo feitas? Os protestos são manifestações profundamente legítimas, mas estão perdendo força. É preciso avançar, e buscar questionar o que a maioria deixa passar em brancas nuvens. Separei a reflexão em três pontos:

Juventude
Uma das maiores fatias de pessoas atingidas pelo aumento é feita de estudantes, de gente jovem, pessoas que normalmente têm não só disponibilidade, mas disposição para cobrar e questionar. Mas onde está essa parcela? Desconte-se o fato do reajuste malandramente ocorrer em janeiro (período de férias), quando muitos não estão na cidade. Mas é preciso se perguntar o por quê da juventude não só do Recife, mas desse país, se encontrar tão desmobilizada e tão despolitizada. Pelo contrário, tenho percebido que a juventude brasileira está, além de apática, se transformando em um assustador monstro feito de conservadorismo e mediocridade. E aí estão os ataques homofóbicos na Av. Paulista, a Mayara Petruso e os que pediram um tiro na cabeça da Dilma para comprovar. Hoje, a parcela mais jovem da nação não tem interesse por política, literatura, história, ou nada que a humanize. Está sim, interessada em virar uma subcelebridade qualquer, em discutir sobre as pendengas do reality show do momento, e em escrever bobagens na internet de maneira inconsequente. É preciso pensar uma forma de mobilizar esses zumbis, e de expor os jovens que questionam o status quo, para que sirvam de exemplo, pois eles também existem.

Mídia
Em uma sociedade midiatizada como a nossa, é impossível não considerar a relevância da imprensa em relação ao debate democrático. E nesse ponto, sejamos honestos, ela peca horrendamente. Focando exclusivamente sobre a questão das tarifas de ônibus, fica claro que a mídia precisa rever sua posição/abordagem. Os jornais e as emissoras de TV precisam entender que o conflito empresas de ônibus X manifestantes não pode ser resumido apenas a uma questão policial, e que os estudantes somente atrapalham o trânsito. Onde estão as matérias investigativas, sobre quem são os donos, e qual o faturamento das empresas? Há quanto tempo eles possuem licença para explorar esse serviço? Essas licenças ainda são válidas? Eu não sei, pois são informações criminosamente negadas à população. Até quando as pessoas terão que andar nessas carroças que o transporte público oferece? Ora, não é preciso ser nenhum Ph.D. para entender que, à medida que a tarifa do transporte público aumenta, e o serviço não melhora, mais e mais pessoas irão buscar formas alternativas de locomoção. E tome ruas mais cheias de carros e motos - e com isso, mais acidentes, mais poluição, mais estresse. Até o dia da paralisação total. E o governo, em tese, deveria ter gente especializada para evitar esse tipo de cenário apocalíptico. Se não há uma ação consciente do estado, cabe à imprensa cobrar esse tipo de atuação. Matérias sensacionalistas e do tipo Jornalismo-Espetáculo, com um minuto de duração, mostrando o trânsito parado, policiais na manifestação e estudantes entoando frases de efeito não colaboram em absolutamente nada.

Concessões
De cara, considero como algo bastante questionável a exploração privada do serviço de transporte público. O direito de ir e vir, assim garantem as leis, é essencial. Para que todo e qualquer cidadão desse país possa ter acesso aos hospitais, escolas, praças, museus, entre outros ambientes públicos, ele precisa, antes de mais nada, ter garantido o acesso a algum meio de transporte. Se esse direito é corrompido por qualquer motivo, todo o resto da estrutura é afetado. Não faz sentido submeter uma área fundamental para a cidadania, e para a própria urbanização das cidades, aos interesses inconfessáveis de uns poucos nababos, interessados em lucros obscenos, garantidos por um serviço do qual poucas pessoas podem prescindir. Isso é uma afronta ao bom senso. Para que servem as Secretarias e os Ministérios? Seria necessária uma completa reforma da regulamentação do transporte público, onde o estado investiria de forma pesada, podendo inclusive, estabelecer uma concorrência com os prestadores privados. Por incrível que pareça, falta capitalismo no négocio do transporte público. Sob meu ponto de vista, essa seria uma verdadeira revolução. Entretanto, para que isso aconteça, muitas verdades terão de ser trazidas à luz. Se seguirmos o dinheiro, veremos que muitas campanhas eleitorais (principalmente as municipais) são financiadas por... surpresa!, proprietários de empresas de ônibus. É por isso que a discussão precisa ser retirada dos gabinetes refrigerados e trazida para o asfalto, para que a população aponte o tipo de transporte público que deseja. Contudo, poucos têm se dedicado a pensar além da superfície, infelizmente. Vejo apenas ônibus quentes, lotados, e com alguns poucos balbuciando uma reclamação, de forma até meio envergonhada.

Repito, os protestos são legítimos, e é bom que eles aconteçam. Mas é desalentador descobrir que muitos dos que sofrem com o caos torcem o nariz para as manifestações, chegando a chamar os participantes de vagabundos e arruaceiros. Uma posição infeliz, de quem não entende que os protestos não têm um fim em si mesmo. Eles são parte de um problema maior, são consequência de um sistema viciado e corroído.
S.