segunda-feira, 19 de julho de 2010

Se ele disse...

...então tá dito.
(do Trabalho Sujo)
S.

A surreal extrema-direita ianque

Pois é.

Depois que disseram que futebol é coisa de comunista e de gente bronzeada, nada mais assusta (pelo menos não deveria assustar).
S.

Serra, só

Leandro Fortes, um dos mais brilhantes jornalistas da atualidade, com um texto precioso.

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Serra precisa de amigos
texto de Leandro Fortes

Ao acusar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter transformado o Brasil em uma "república sindicalista", José Serra optou por agregar a seu modelito eleitoral, definitivamente, o discurso udenista de origem, de forma literal, da maneira como foi concebido pelas elites brasileiras antes do golpe militar de 1964. Não deixa de ser curioso, ouvir essa expressão, "república sindicalista", vinda da boca de quem, naquele mesmo ano do golpe de, colocava-se ao lado do presidente João Goulart contra os golpistas que se aninhavam nos quartéis com o mesmíssimo pretexto, levantado agora pelo candidato do PSDB, para amedrontar a classe média. Jango, dizia a UDN, macaqueavam os generais, havia feito do Brasil uma "república sindicalista". Ao se encarcerar nesse conceito político arcaico, preconceituoso, e sobretudo, falacioso, Serra completou o longo arco de aproximação com a extrema-direita brasileira, iniciado ao lado de Fernando Henrique Cardoso, nos anos 1990. Um casamento celebrado sob as cinzas de seu passado e de sua história, um funeral político que começou a ser conduzido sob a nebulosa aliança de interesses privatistas e conveniências fisiológicas pelo PFL de Antônio Carlos Magalhães, hoje, DEM, de figuras menores, minúsculas, como o vice que lhe enfiaram goela abaixo, o deputado Índio "multa-esmolé" da Costa.

Pior que o conceito, só a audiência especialmente convidada, talvez os amigos que lhe restaram, artistas e intelectuais arrebanhados às pressas para ouvir de Serra seus planos para a cultura brasileira: Carlos Vereza, Rosa Maria Murtinho, Maitê Proença, Zelito Viana, Ferreira Gullar e Marcelo Madureira - este último, raro exemplar de humorista de direita, palestrante eventual do Instituto Millennium, a sociedade acadêmica da neo UDN. Faltou Regina Duarte, a apavoradinha do Brasil, ausente, talvez, por se sentir bem representada. Diante de tão seleta platéia, talvez porque lhe faltem idéias para o setor, Serra destilou fel puro contra as ações culturais do governo Lula, sobretudo aquelas levadas a cabo pela Petrobras, a mesma empresa que os tucanos um dia pretenderam privatizar com o nome de Petrobrax. Animado com discurso de Serra, o humorista Madureira saiu-se com essa: "Quero que o Estado não se meta na cultura e no meu trabalho, como está acontecendo". Madureira trabalha na TV Globo, no "Casseta & Planeta Urgente". Como o Estado está se metendo no trabalho dele, ainda é um mistério para todos nós. Mas, a julgar pela falta de graça absoluta do programa em questão, eu imagino que deva ser uma ação do Ministério da Defesa.

Íntegra do texto aqui.
S.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Bens e incredulidade

Os bens de Jarbas Vasconcelos
texto de Urariano Mota, pescado no Vi o mundo

Jarbas Vasconcelos, vocês lembram, é aquele senador que, com indignação à altura da revista Veja, um dia afirmou nas páginas amarelas que o Bolsa Família servia apenas para gerar malandros ou incentivar as pessoas do povo para a vadiagem. E como prova declarou que conhecia um garçom que deixara de trabalhar pra viver da “bolsa esmola” de Lula, como pode ser visto aqui.

Naquela altura, o bravo senador era um varão de Plutarco, segundo as páginas e imagens da imprensa amarela em inglês e marrom no Brasil. Indignado, ele protestava contra os desonestos, bandidos e ladrões do seu partido, a falar para o Jornal Nacional e a Folha de São Paulo… Paro um pouco pra notar que escrevi “bandidos do seu partido” num ato falho. Isso pode ser interpretado como bandidos da laia do insigne senador, mas tal não foi minha intenção, creiam: quis apenas dizer “bandidos” que existem no partido onde o senador ainda se encontra, o PMDB. Entendam.

Então? como perguntam os paulistas. Então, meus pacientes amigos, o senador apresentou ontem a sua última declaração, devo dizer, a declaração atualizada de bens ao TRE de Pernambuco:

“Jarbas Vasconcelos – Candidato a Governador

Obras de arte (jóias, quadros, objetos de arte) – R$198.217,20
Camarote nº1 do Estádio Adelmar da Costa Carvalho – R$11.254,68
Casa no Rosarinho – R$100.000,00
Apartamento Pier Mauricio de Nassau – R$130.000,00
Saldo Conta Corrente Banco Real – R$547,24
Saldo Conta Corrente Banco do Brasil – R$1.441,60
Casa no Janga – R$120.000,00
Conta Corrente Banco do Brasil – R$341,98
Automóvel Peugeot, fab.2009 mod. 2010 – R$35.690,00
Banco Santander Real fundo de investimento renda fixa – R$215.296,30
Apartamento Pier Mauricio de Nassau ( a ser pago em parcelas) – R$ 403.771,85”

Para dizer o mínimo, a declaração acima, assim como aquela sobre o garçom malandro, peca pela falta de verossimilhança. Ainda que por lei os candidatos não sejam obrigados a fornecer uma cópia da declaração de Imposto de Renda à Justiça Eleitoral, nós, comuns mortais, bem que podemos comparar os valores declarados com os do mundo real. Em se tratando de Jarbas Vasconcelos, paladino da boa moral, o que dizer do que ele afirma e firma? Primeiro, na sua declaração a parcela real é maior que o todo da soma de Plutarco. A saber: os dois apartamentos valem, no mundo imoral dos imóveis, algo em torno de 1.700.000 reais. (Informações da Moura Dubeux). Esses dois apartamentos dignos de um senador vão além do total 1.216.560,85 informado acima. É natural, eles estão no mais alto prédio do Recife, digamos.

Segundo, na parcela obras de arte então, Jarbas Vasconcelos dá um show de modéstia. Ou de esquecimento. Montaigne ensinava que a primeira qualidade do mentiroso é ter boa memória. Pelo visto, Jarbas Vasconcelos leu e esqueceu a lição, pois no que ele declara como 198 mil reais existem mais que bois e bonecos do mestre Vitalino. Em artigo publicado na revista Continente, pudemos ver que nas paredes de sua casinha no Rosarinho (que ele avalia em cem milzinhos), existem quadros de João Câmara, Reynaldo Fonseca, Cícero Dias, Siron Franco, Vicente do Rego Monteiro e Aldemir Martins. Bom gosto, reconheçamos, mas um só Vicente do Rego Monteiro e um modesto Cícero Dias, por exemplo, podem custar mais que 198 mil cangaceiros de barro. Mas o nobre senador esqueceu.

Na sua declaração ao TRE, o ínclito Jarbas só perdeu mesmo para o deputado federal Raul Jungmann, candidato a senador na sua chapa (de Jarbas). Raul, o ex-comunista da escola de Roberto Freire, declarou possuir bens num total de…. 17 mil reais. Notem que Raul recebe salários acima de 20 mil reais há dois mandatos e não tem, coitado, sequer uma casa pra morar, nem mesmo um fusca pra chamar de seu.

Dizer o quê diante desse modelo de pobreza, honra e virtude? – Para o PPS e assemelhados o cinismo não mata.
S.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Um gigante se vai

Fiquei com uma dívida em relação ao Saramago. O mundo perde mais uma mente genial e eu quase deixo passar. Curioso foi ler que a Igreja o qualificou de populista extremista. Bem, a Igreja acusar alguém de extremismo é no mínimo uma piada. No mais, bastante cristão desancar alguém que não pode nem mais se defender.

Como bônus, dois textos. Um sobre o espírito da obra do gigante lusitano e outro sobre a covardia e a degeneração de uma representante da imprensa brasileira.
S.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Caneleiros F.C.

Levando em consideração os jogos ocorridos até o momento, a impressão é de que a final da Copa do Mundo vai ser decidida em uma partida de truco.
S.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Fato

Pra quê ouvir o porta-voz da Casa Branca, se eu posso ler os jornais brasileiros? É praticamente a mesma coisa.
S.

terça-feira, 1 de junho de 2010

O horror

Israel ataca navio pacifista carregado de remédios e alimentos. Em águas internacionais. E os donos do mundo preocupados com o Irã. Perdoem a falta de sutileza, mas o regime sionista de Israel é uma das maiores ameaças à vida humana que esse planeta já viu.
S.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Abraços de Galeano

Mergulhado no belíssimo "O livro dos abraços" de Eduardo Galeano, o uruguaio responsável pela obra-prima "As veias abertas da América Latina", bastante recomendada para quem deseja entender o preço que os latino-americanos pagaram (pagam?) pela prosperidade do Velho Mundo. Os passeios que se guardam em cada uma das crônicas vale muito a multa de quase uma semana pelo meu atraso na biblioteca.

Com a licença do mestre:

Paradoxos
por Eduardo Galeano

Se a contradição for o pulmão da história, o paradoxo deverá ser, penso eu, o espelho que a história usa para debochar de nós.

Nem o próprio filho de Deus salvou-se do paradoxo. Ele escolheu, para nascer, um deserto subtropical onde jamais nevou, mas a neve se converteu num símbolo universal do Natal desde que a Europa decidiu europeizar Jesus. E para mais inri, o nascimento de Jesus é, hoje em dia, o negócio que mais dinheiro dá aos mercadores que Jesus tinha expulsado do templo.

Napoleão Bonaparte, o mais francês dos franceses, não era francês. Não era russo Josef Stálin, o mais russo dos russos; e o mais alemão dos alemães, Adolf Hitler, tinha nascido da Áustria. Margherita Sarfatti, a mulher mais amada pelo anti-semita Mussolini, era judia. José Carlos Mariátegui, o mais marxista dos marxistas latino-americanos, acreditava fervorosamente em Deus. O Che Guevara tinha sido declarado completamente incapaz para a vida militar pelo exército argentino.

Das mãos de um escultor chamado Aleijadinho, que era o mais feio dos brasileiros, nasceram as mais altas formosuras do Brasil. Os negros norte-americanos, os mais oprimidos, criaram o jazz, que é a mais livre das músicas. No fundo de um cárcere foi concebido o Dom Quixote, o mais andante dos cavaleiros. E cúmulo dos paradoxos, Dom Quixote nunca disse sua frase mais célebre. Nunca disse: Ladram, Sancho, sinal que cavalgamos.

"Acho que você está meio nervosa", diz o histérico. "Te odeio", diz a apaixonada. "Não haverá desvalorização", diz, na véspera da desvalorização, o ministro da Economia. "Os militares respeitam a Constituição", diz, na véspera do golpe de Estado, o ministro da Defesa.

Em sua guerra contra a revolução sandinista, o governo dos Estados Unidos coincidia, paradoxalmente, com o Partido Comunista da Nicarágua. E paradoxais foram, enfim, as barricadas sandinistas durante a ditadura de Somoza: as barricadas, que fechavam as ruas, abriam o caminho.

S.

sábado, 8 de maio de 2010

Ode a ninguém

Felicitações. Você foi selecionado para adentrar uma estrutura de comportamento pela qual será classificado por todos os dias de sua existência. Aqui você é livre. Livre para seguir o que todos fazem. Seja temente a entes invisíveis. Abra mão de sua individualidade. Procrie. Vicie-se em televisão. Pague impostos escorchantes. Desconfie do vizinho. Por fim, conforme-se com tudo isso. Submeta-se a uma prisão psicológica que foi construída por alguém ainda não identificado pela ciência. Submeta-se. Não questione. Apenas faça o que a maioria faz, ainda que a maioria não faça nada. E não se preocupe com juízos até o dia de sua extinção. Nunca pense fora da caixa, pois o preço a pagar é alto. Você será estranho. Disfuncional. Problemático. Nunca considere que está do lado externo da jaula. Tenha pesadelos com as dívidas que se multiplicam. Viva irritado, coma velozmente, enfrente horas de um trânsito irracional, ria pouco, respire ar poluído e seja xingado por desconhecidos em razão de motivos infantis. Trabalhe a vida inteira, até o esqueleto quebrar, e desconsidere a baixa remuneração. Tome vários remédios. Enriqueça os bancos. Seja indiferente aos corruptos e aos esfomeados. Venere os imbecis. Admire ídolos com pés de barro. Seja normal. Seja ordeiro. Seja ninguém. Felicitações.
S.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Libertinagem

E quando a liberdade de imprensa se transforma em liberdade de inventar declarações, manipular conceitos e ser completamente irresponsável? É essa a liberdade que o barões da mídia tanto defendem?
S.

Tecnicismos

Marqueteiros orientam seus candidatos, para aquela que deve ser a eleição presidencial mais suja, fria e CHATA de todos os tempos...

(clique para aumentar)
S.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Vento

Quem me dera eu fosse o vento
Pra ser capaz de fazer teus cordões castanhos dançarem
S.