terça-feira, 1 de junho de 2010

O horror

Israel ataca navio pacifista carregado de remédios e alimentos. Em águas internacionais. E os donos do mundo preocupados com o Irã. Perdoem a falta de sutileza, mas o regime sionista de Israel é uma das maiores ameaças à vida humana que esse planeta já viu.
S.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Abraços de Galeano

Mergulhado no belíssimo "O livro dos abraços" de Eduardo Galeano, o uruguaio responsável pela obra-prima "As veias abertas da América Latina", bastante recomendada para quem deseja entender o preço que os latino-americanos pagaram (pagam?) pela prosperidade do Velho Mundo. Os passeios que se guardam em cada uma das crônicas vale muito a multa de quase uma semana pelo meu atraso na biblioteca.

Com a licença do mestre:

Paradoxos
por Eduardo Galeano

Se a contradição for o pulmão da história, o paradoxo deverá ser, penso eu, o espelho que a história usa para debochar de nós.

Nem o próprio filho de Deus salvou-se do paradoxo. Ele escolheu, para nascer, um deserto subtropical onde jamais nevou, mas a neve se converteu num símbolo universal do Natal desde que a Europa decidiu europeizar Jesus. E para mais inri, o nascimento de Jesus é, hoje em dia, o negócio que mais dinheiro dá aos mercadores que Jesus tinha expulsado do templo.

Napoleão Bonaparte, o mais francês dos franceses, não era francês. Não era russo Josef Stálin, o mais russo dos russos; e o mais alemão dos alemães, Adolf Hitler, tinha nascido da Áustria. Margherita Sarfatti, a mulher mais amada pelo anti-semita Mussolini, era judia. José Carlos Mariátegui, o mais marxista dos marxistas latino-americanos, acreditava fervorosamente em Deus. O Che Guevara tinha sido declarado completamente incapaz para a vida militar pelo exército argentino.

Das mãos de um escultor chamado Aleijadinho, que era o mais feio dos brasileiros, nasceram as mais altas formosuras do Brasil. Os negros norte-americanos, os mais oprimidos, criaram o jazz, que é a mais livre das músicas. No fundo de um cárcere foi concebido o Dom Quixote, o mais andante dos cavaleiros. E cúmulo dos paradoxos, Dom Quixote nunca disse sua frase mais célebre. Nunca disse: Ladram, Sancho, sinal que cavalgamos.

"Acho que você está meio nervosa", diz o histérico. "Te odeio", diz a apaixonada. "Não haverá desvalorização", diz, na véspera da desvalorização, o ministro da Economia. "Os militares respeitam a Constituição", diz, na véspera do golpe de Estado, o ministro da Defesa.

Em sua guerra contra a revolução sandinista, o governo dos Estados Unidos coincidia, paradoxalmente, com o Partido Comunista da Nicarágua. E paradoxais foram, enfim, as barricadas sandinistas durante a ditadura de Somoza: as barricadas, que fechavam as ruas, abriam o caminho.

S.

sábado, 8 de maio de 2010

Ode a ninguém

Felicitações. Você foi selecionado para adentrar uma estrutura de comportamento pela qual será classificado por todos os dias de sua existência. Aqui você é livre. Livre para seguir o que todos fazem. Seja temente a entes invisíveis. Abra mão de sua individualidade. Procrie. Vicie-se em televisão. Pague impostos escorchantes. Desconfie do vizinho. Por fim, conforme-se com tudo isso. Submeta-se a uma prisão psicológica que foi construída por alguém ainda não identificado pela ciência. Submeta-se. Não questione. Apenas faça o que a maioria faz, ainda que a maioria não faça nada. E não se preocupe com juízos até o dia de sua extinção. Nunca pense fora da caixa, pois o preço a pagar é alto. Você será estranho. Disfuncional. Problemático. Nunca considere que está do lado externo da jaula. Tenha pesadelos com as dívidas que se multiplicam. Viva irritado, coma velozmente, enfrente horas de um trânsito irracional, ria pouco, respire ar poluído e seja xingado por desconhecidos em razão de motivos infantis. Trabalhe a vida inteira, até o esqueleto quebrar, e desconsidere a baixa remuneração. Tome vários remédios. Enriqueça os bancos. Seja indiferente aos corruptos e aos esfomeados. Venere os imbecis. Admire ídolos com pés de barro. Seja normal. Seja ordeiro. Seja ninguém. Felicitações.
S.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Libertinagem

E quando a liberdade de imprensa se transforma em liberdade de inventar declarações, manipular conceitos e ser completamente irresponsável? É essa a liberdade que o barões da mídia tanto defendem?
S.

Tecnicismos

Marqueteiros orientam seus candidatos, para aquela que deve ser a eleição presidencial mais suja, fria e CHATA de todos os tempos...

(clique para aumentar)
S.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Vento

Quem me dera eu fosse o vento
Pra ser capaz de fazer teus cordões castanhos dançarem
S.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

sábado, 24 de abril de 2010

Aspas

"Eu estava na escola pública e convivia com eles (os nordestinos) numa total normalidade."
(José Serra, durante discurso em Natal-RN)

Total normalidade, é? Maravilha.
Depois dessa eu vou voltar pro meu disco voador.
S.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Tubo vazio

A TV é um meio sem princípios nem fim
Texto de Rodolfo Araújo

Uma das passagens mais interessantes (e menos exploradas) do SuperFreakonomics - O lado oculto do dia-a-dia
aborda a correlação entre a televisão e a violência. Mas antes que a leitora desande a falar mal da programação da TV brasileira (que ela mesma assiste vidrada), esclareço que a nefasta influência pouco tem a ver com o que quer que esteja passando.

No início dos anos 1970, Stanley Milgram
(o mesmo dos Seis Graus de Separação e do Experimento da Obediência) fez um dos mais criativos estudos para verificar se o teor dos programas de televisão poderia ter alguma influência no comportamento dos indivíduos.

Em seu elaborado experimento, patrocinado pela rede CBS, Milgram customizou um episódio de Medical Center – uma série de TV sobre a rotina de um grande hospital. Nele, um dos personagens vive um infortúnio atrás do outro: ele perde o emprego, sua mulher fica doente e seu barco afunda (literalmente).

Desesperado, ele arromba a caixa de donativos do hospital e rouba o dinheiro ali contido. O filme oferecia, então, dois possíveis finais: num deles o sujeito é preso pela polícia e, no outro, escapa incólume. Depois que os voluntários assistiam a uma das versões do programa, era-lhes prometido um pequeno rádio como brinde por participarem do experimento, sendo que eles precisavam retirar o mimo num escritório perto dali.

Íntegra do texto aqui.
S.

Fofice

Quer fofice? Então toma.

Atualização 23/04 - 23h44
O viral tomou proporções gigantescas e começou a ser manipulado pela própria imprensa que originalmente era o alvo. O conceito ainda pode ser captado aqui.
S.

domingo, 11 de abril de 2010

A queda das máscaras (parte 2)

Descer o malho na imprensa de rabo preso é parte do nosso trabalho de formiguinha operária. Mas quando a própria imprensa de rabo preso nos dá provas concretas da canalhice, as coisas ficam bem mais fáceis.
S.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A queda das máscaras

A antiga imprensa, enfim, assume partido
Texto de Jorge Furtado


Quem estava prestando atenção já percebeu faz tempo: a antiga imprensa brasileira virou um partido político, incorporando as sessões paulistas do PSDB (Serra) e do PMDB (Quércia), e o DEM (ex-PFL, ex-Arena).

A boa novidade é que finalmente eles admitiram ser o que são, através das palavras sinceras de Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional dos Jornais e executiva do jornal Folha de S. Paulo, em declaração ao jornal O Globo: “Obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada.”

A presidente da Associação Nacional dos Jornais constata, como ela mesma assinala, o óbvio: seus associados “estão fazendo de fato a posição oposicionista (sic) deste país”. Por que agem assim? Porque “a oposição está profundamente fragilizada”.

A presidente da associação/partido não esclarece porque a oposição “deste país” estaria “profundamente fragilizada”, apesar de ter, como ela mesma reconhece, o irrestrito apoio dos seus associados (os jornais).

A presidente da associação/partido não questiona a moralidade de seus filiados assumirem a “posição oposicionista deste país” enquanto, aos seus leitores, alegam praticar jornalismo. Também não questiona o fato de serem a oposição ao governo “deste país” mas não aos governos do seu estado (São Paulo).

Íntegra do texto aqui.
S.

Aspas

“Você, como democrata, não deve ter medo do debate. O tempo em que as coisas eram construídas no gabinete de um homem de roupa verde acabou. Agora é o seguinte: quem quiser construir vai ter que debater”

(Lula, em resposta ao capacho dos homens de roupa verde, caçador de comunistas e esculhambador de garis Boris Casoy, durante o programa Canal Livre, da Band)
S.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Nunca mais (parte 2)

Herança deixada para os mais pobres
Texto de Maria Inês Nassif

A história é um processo, mas em alguns períodos os sobreviventes de um tempo conseguem perceber quase na pele que vivem um momento em que uma página é virada e outra se inicia. Nessas ocasiões, a impressão é a de que cada um de um vasto número de incógnitos atores sociais conseguiu imprimir a sua assinatura num capítulo da história e que os dias, meses e anos passaram a andar porque foram movidos por uma vontade coletiva. São momentos de explosão social de emoção indescritível e, quando eles acontecem, os consensos formados no tecido social têm conteúdo positivo – a construção do novo. Embora sejam situações que exijam a coragem coletiva da mudança, e isso sujeita a sofrimentos, elas trazem junto a alegria da superação. Não apenas uma superação pessoal, mas coletiva.

O golpe de 1964 completou 46 anos ontem. Há 25 anos, o país passou por um momento histórico de superação. O país, que vivera a quebra da ordem institucional com relativa indiferença, do ponto de vista da maioria não engajada partidariamente; que assistira a um início de resistência de massa nos movimentos populares de 68; que caíra novamente na letargia no período do milagre econômico e de feroz repressão do governo Médici; que lutou com dificuldade no governo Geisel, aquele presidente que manobrou maiorias parlamentares, aumentou a lista de desaparecidos políticos e interviu no Judiciário – esse país chegou ao governo Figueiredo tecendo consensos. A redemocratização foi um consenso; a anistia foi uma convicção coletiva; a luta pelas eleições diretas ganhou as ruas. O primeiro presidente civil não foi eleito pelo voto direto, mas certamente assumiu porque o fim do regime militar tornou-se uma explosão de consenso: se Tancredo Neves foi o escolhido pelo Colégio Eleitoral numa transição negociada com os militares, ele também foi ungido pelo consenso das ruas.

Íntegra do texto
aqui.
S.

Nunca mais (parte 1)

Por Carlos Latuff

S.