"Por medo das âncoras, ela vagava sem rumo."
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Recife-São Paulo-Recife
// São Paulo é realmente uma cidade cinza.
// A maioria dos motoqueiros não são motoqueiros. São ninjas disfarçados de motoqueiros.
// Há muito mais nordestinos em São Paulo do que se imagina. São eles os mais dispostos a jogar conversa fora. O detalhe é que todos que conheci me prestaram algum tipo de serviço.
// Entendo que festivais de música ofereçam alimentação por um preço acima do normal. Mas uma lata de refrigerante por 6 reais é uma heresia.
// Uma pessoa que não sabe o nome do vocalista da banda que está no palco não deve ficar na grade frontal da plateia. Ainda mais quando o energúmeno em questão aparenta ter mais de 1,70m de altura.
// O Deftones é uma das bandas mais subestimadas da história.
// Mike Patton não é desse planeta.
// Viva a música honesta!
S.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Unibã
Eu pensei em escrever algo. Aí, desisti de escrever algo. Depois pensei em fazer um desenho. Perdi a vontade. Até porque o buruçu foi bem estranho. Minissaia causando caos? No Brasil? Em uma faculdade? Mas uma coisa eu queria ver: eu queria ver a cara de um daqueles imbecis ao ler uma matéria sobre mulheres apedrejadas por extremistas do Oriente Médio. Aliás, como é possível que uma faculdade tenha aquela quantidade de pessoas (pessoas?) sem o menor discernimento? Como é possível que aquela enormidade de gente (gente?) não tenha percebido o ridículo da situação? O que a juventude desse país guarda para o futuro? Até onde um comportamento de rebanho pode chegar? Uniban ou Talibã? Odeio a obviedade, mas nessas horas o que me vem à cabeça é uma mistura de teocracia radical com as ideias do austríaco de bigode chapliniano.
Pronto, escrevi.
E desenhei.
S.
Pronto, escrevi.
E desenhei.S.
sábado, 31 de outubro de 2009
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Mundinho sem graça
Minha vida está bem longe de ser emocionante (e escrever esta sentença é uma prova irrefutável disso). Mas ao que parece tem gente respirando muito mais fumaça. Deve ser um saco se ver preso em um universo em que a negação das contradições e dos conflitos humanos seja uma tarefa permanente.
Curioso como muita gente insiste em caracterizar a democracia e o capitalismo como se uma coisa fosse intrínseca à outra. Restando ao socialismo e às suas doutrinas correlatas a pecha de símbolos ditatoriais. Ora, não vamos misturar feijão com batata. Reafirmar essa coisa de irmandade siamesa entre formas de governo e estruturas econômico-financeiras é apostar na ingenuidade do público. A democracia é um sistema de governo que pode ter sob o seu telhado tanto o Nelson Mandela como o Berlusconi.
Por trás desse pensamento está a nada ingênua intenção de desmobilizar a sociedade. Na tentativa de matar o questionamento e a inquietude, jogam para a plateia essa coisa de fim da História. É a destruição do contraditório como estratégia para que ninguém faça bulhufas. Além de tedioso, isso deve ser bem exaustivo. O Comunismo morreu? Que bom, Stálin era um grandioso pústula. O Neoliberalismo é um cadáver? Maravilha, já era tempo. O que não dá é ficar caindo na conversa de que não há mais progressistas e conservadores. Até porque isso só favorece quem está comendo caviar na Suíça, na crença de que a Bolsa de Valores tem primazia sobre o saneamento básico no Ibura.
A esquerda e a direita continuam vivas. Ainda que alguns fulanos, no intervalo entre um livro do Fukuyama e um CD do Jota Quest, digam o contrário. As mesmas canetas que costumam dar uma conotação ruim ao esquerdismo, adoram usar o vocábulo conservador como um eufemismo para direitista. Nessas horas lembro do Latuff, que falou (com muita propriedade) que a direita do Brasil é ainda mais medíocre pelo fato de ter medo de se autoproclamar como tal. É a tática do controle de danos. É a proposta Vamos-chutar-a-estátua-do-Che, mas vamos chamar nosso grupo de Democratas. Porque Direitistas queima o filme. E não rende voto.
Enquanto isso, rezam para o deus mercado, aquele que tudo corrige.
S.
Curioso como muita gente insiste em caracterizar a democracia e o capitalismo como se uma coisa fosse intrínseca à outra. Restando ao socialismo e às suas doutrinas correlatas a pecha de símbolos ditatoriais. Ora, não vamos misturar feijão com batata. Reafirmar essa coisa de irmandade siamesa entre formas de governo e estruturas econômico-financeiras é apostar na ingenuidade do público. A democracia é um sistema de governo que pode ter sob o seu telhado tanto o Nelson Mandela como o Berlusconi.
Por trás desse pensamento está a nada ingênua intenção de desmobilizar a sociedade. Na tentativa de matar o questionamento e a inquietude, jogam para a plateia essa coisa de fim da História. É a destruição do contraditório como estratégia para que ninguém faça bulhufas. Além de tedioso, isso deve ser bem exaustivo. O Comunismo morreu? Que bom, Stálin era um grandioso pústula. O Neoliberalismo é um cadáver? Maravilha, já era tempo. O que não dá é ficar caindo na conversa de que não há mais progressistas e conservadores. Até porque isso só favorece quem está comendo caviar na Suíça, na crença de que a Bolsa de Valores tem primazia sobre o saneamento básico no Ibura.
A esquerda e a direita continuam vivas. Ainda que alguns fulanos, no intervalo entre um livro do Fukuyama e um CD do Jota Quest, digam o contrário. As mesmas canetas que costumam dar uma conotação ruim ao esquerdismo, adoram usar o vocábulo conservador como um eufemismo para direitista. Nessas horas lembro do Latuff, que falou (com muita propriedade) que a direita do Brasil é ainda mais medíocre pelo fato de ter medo de se autoproclamar como tal. É a tática do controle de danos. É a proposta Vamos-chutar-a-estátua-do-Che, mas vamos chamar nosso grupo de Democratas. Porque Direitistas queima o filme. E não rende voto.
Enquanto isso, rezam para o deus mercado, aquele que tudo corrige.
S.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Fato
Poucas coisas são tão artificiais e mecânicas quanto os jornalistas da Globo na tentativa de serem naturais/informais.
S.
S.
Gruta à vista
Um batalhão de ouvidos já havia percebido, e uma igual multidão de bocas já afirmou: a música degringolou bastante na última década. Parece óbvio, mas senti de fato o cheiro da obviedade quando percebi que os últimos álbuns e shows que me deixaram mais ansioso e satisfeito são de bandas da década de 90. Além das bandas completamente fora do circuito mídia-críticos sabichões-jabá.
Compreendo que não dá para julgar apenas pelas bandas que estão no Faustão ou na MTV, mas a realidade é que até mesmo os canais mais tradicionais e populares de escoamento cultural já viveram dias melhores. (Ora, o Ratos de Porão já foi em um programa do Gugu!). Hoje estão todos atolados em uma mediocridade inacreditável. Tenho enorme dificuldade em apontar uma banda ou estilo musical da década iniciada em 2001 que me agrade como as coisas mais dazantigas. Li um comentário engraçado de alguém dizendo que o programa Ídolos já segue para a quarta edição, mas ninguém sabe quem são os três vencedores das temporadas anteriores. Sinal dos tempos?
E isso não se resume à música. A televisão brasileira, que um dia já teve a TV Pirata e Os Trapalhões, hoje vive de Zorra Total e Turma do Didi. Só para ficar no humor. O que aconteceu conosco nesses vinte anos? Quem em sã consciência concebe um programa de televisão que exibe, durante a tarde inteira, um grupo de obscuras subcelebridades (sub do sub) correndo sobre uma piscina de gosma? E pior, crê que isso é o bastante para os espectadores. É como se vivêssemos um processo de involução, caminhando de volta às cavernas.
O próprio cinema dá a impressão de que vai perdendo seus mestres sem conseguir uma renovação à altura. Só o que se multiplica é o puxasaquismo de críticos, muitos com textos que não escondem a enrolação retórica e a incapacidade de compreensão de uma determinada obra.
Todos querem ser não só artistas, mas artistas milionários. Seja lá o que isso signifique. Mesmo que isso os obrigue a guardar a honestidade em uma gaveta suja do quarto. O importante é o glamour dos flashes e o tapete vermelho. Temo pensar onde isso nos levará.
S.
Compreendo que não dá para julgar apenas pelas bandas que estão no Faustão ou na MTV, mas a realidade é que até mesmo os canais mais tradicionais e populares de escoamento cultural já viveram dias melhores. (Ora, o Ratos de Porão já foi em um programa do Gugu!). Hoje estão todos atolados em uma mediocridade inacreditável. Tenho enorme dificuldade em apontar uma banda ou estilo musical da década iniciada em 2001 que me agrade como as coisas mais dazantigas. Li um comentário engraçado de alguém dizendo que o programa Ídolos já segue para a quarta edição, mas ninguém sabe quem são os três vencedores das temporadas anteriores. Sinal dos tempos?
E isso não se resume à música. A televisão brasileira, que um dia já teve a TV Pirata e Os Trapalhões, hoje vive de Zorra Total e Turma do Didi. Só para ficar no humor. O que aconteceu conosco nesses vinte anos? Quem em sã consciência concebe um programa de televisão que exibe, durante a tarde inteira, um grupo de obscuras subcelebridades (sub do sub) correndo sobre uma piscina de gosma? E pior, crê que isso é o bastante para os espectadores. É como se vivêssemos um processo de involução, caminhando de volta às cavernas.
O próprio cinema dá a impressão de que vai perdendo seus mestres sem conseguir uma renovação à altura. Só o que se multiplica é o puxasaquismo de críticos, muitos com textos que não escondem a enrolação retórica e a incapacidade de compreensão de uma determinada obra.
Todos querem ser não só artistas, mas artistas milionários. Seja lá o que isso signifique. Mesmo que isso os obrigue a guardar a honestidade em uma gaveta suja do quarto. O importante é o glamour dos flashes e o tapete vermelho. Temo pensar onde isso nos levará.
S.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Torpor
Estupefato, descobri o nível de complexidade dramática das novelas. Testemunhei uma criança de três anos de idade antevendo (com absoluta exatidão) o desfecho de uma cena, que ocorreria no bloco seguinte. Plim-plim.
S.
S.
domingo, 4 de outubro de 2009
E agora? (parte 2)
A Vanusa vai cantar o hino nacional na abertura da Copa ou das Olimpíadas? (Crédito do esperto questionamento para meu amigo Léo Castro).
S.
S.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Fato
Ao contrário do que alguns pensam, a marginalidade não é exclusiva de uma classe social. Se dois gorilas podem agredir e ameaçar um jornalista dentro do seu local de trabalho, eu quero uma granada para chamar de minha.
S.
S.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Trololó diplomático
Estava só esperando as viúvas do fascismo saírem do armário no caso do golpe em Honduras. De início, trataram o caso com discrição. Porém, conforme o tempo ia passando, o veneno começou a escorrer pela boca. E no momento em que o Brasil se envolveu diretamente no caso... Zás! Veio, enfim, o total e completo desprezo pelo pudor e pela honestidade. Se isso não fosse tão previsível eu diria que meus dons visionários estão bem aguçados.
Abaixo, trecho de uma reportagem de capa da revista mais vendida (no sentido de maior tiragem) do país. Imagino que a revista tenha em seus quadros jornalistas bem pagos e de ótima formação. Elementos que não impediram a revista de gastar tinta com isso:
...das intenções democráticas dos golpistas.
De novo, para que não restem dúvidas:
...das INTENÇÕES DEMOCRÁTICAS dos GOLPISTAS.
A revista mais comercializada do país publica isso sem medo de ser tachada de ridícula? Que espécie de leitores-zumbis ela espera alcançar com um jogo de palavras estapafúrdio? Já deveria estar claro para todos: nenhum golpe de estado é legítimo - venha ele da esquerda, da direita, do centro, de cima ou de baixo. O que justifica então o apoio cínico de diversos jornais e emissoras de TV, senão o interesse ideológico e financeiro? Parece que há golpes e golpes. Há golpes malignos de bufões vermelhos e golpes democráticos, daqueles que estão do lado certo. Que se danem os hondurenhos, suas histórias de vida e a lei, devem pensar. É uma briga de cachorro grande, em que os bichos mais à direta do canil fustigam aqueles mais à esquerda, e que hoje são maioria no continente americano.
Deve ser o primeiro caso de governo interino de intenções democráticas que sequestra um político em sua própria residência, expulsa o mesmo (de pijamas) do país, fecha empresas de comunicação, restringe as liberdades de circulação e de expressão, mata manifestantes, ataca embaixadas e dá ultimatos, como se possuísse moral pra isso. É doloroso ter que ler e ouvir pessoas querendo justificar o injustificável, fazendo contorcionismos verbais e se utilizando de trechos da Constituição hondurenha, selecionados e interpretados do modo mais conveniente, para nos convencer de que toda essa confusão foi criada em nome da ordem. Pouco adianta se o planeta inteiro condenou o golpe.

E como se faz isso? Da forma mais estúpida e novelesca possível. Escolhendo um demônio chavista já bastante ridicularizado e que, por ser caricato, pode ser mais facilmente assimilado pelos espectadores distraídos e pela classe média hipnotizada. E tudo se resume a isso. Escolhe-se um inimigo mortal, culpado por todos os problemas da região. E não se discute mais nada. Nada de contexto. Nada de embate de argumentos. É a velha disputa entre o bem e o mal, cozinhada nas redações de jornais e entregue na mesa dos brasileiros, que não precisam fazer nada, só engolir acriticamente o que dizem os colunistas iluminados e os especialistas de boteco. Método bastante utilizado por ninguém menos do que o Bush na época do 11 de setembro. Curioso que sempre ouvi dizerem que somente a esquerda fazia isso.
Todo esse trololó diplomático me trouxe a outra questão. Ao mesmo tempo em que a imprensa mundial tece elogios ao novo espaço que a nação (e não exatamente o governo, não confundamos) brasileira ocupa no cenário internacional, os órgãos da mídia tupiniquim insistem em bater na tecla de que somos um país atrasado, de bárbaros, sem força - um país nanico. Rodeado por países ainda piores. E que deveríamos ficar no lugar de sempre, ouvindo ordens de instituições externas, e do sempre confiável e bem-intencionado hemisfério norte. Como se a História não se reinventasse dia após dia. Como se o destino do Brasil fosse ser eternamente a colônia exótica cheia de mulheres atraentes. Seria cômico, se não fosse trágico.
É preciso observar que o país sempre foi o líder natural da América Latina. E com as transformações e o crescimento econômico da última década, é normal que passemos a ser ainda mais protagonistas de crises em países menores, como é o caso de Honduras. Se negar a esse papel é se conformar em ser um país de palermas, gigante territorialmente, mas com pouca voz nas decisões do planeta. Quem grita contra essa nova História (imprensa incluída), não grita de graça. Grita porque faz parte do círculo de poder que se vê ameaçado.
Ilustração: Latuff
S.
Abaixo, trecho de uma reportagem de capa da revista mais vendida (no sentido de maior tiragem) do país. Imagino que a revista tenha em seus quadros jornalistas bem pagos e de ótima formação. Elementos que não impediram a revista de gastar tinta com isso:
O mais lógico seria deixar o retornado sob os cuidados dos amigos brasileiros até depois das eleições, que, se legítimas, convenceriam a comunidade internacional das intenções democráticas dos golpistas.O final, mais uma vez:
...das intenções democráticas dos golpistas.
De novo, para que não restem dúvidas:
...das INTENÇÕES DEMOCRÁTICAS dos GOLPISTAS.
A revista mais comercializada do país publica isso sem medo de ser tachada de ridícula? Que espécie de leitores-zumbis ela espera alcançar com um jogo de palavras estapafúrdio? Já deveria estar claro para todos: nenhum golpe de estado é legítimo - venha ele da esquerda, da direita, do centro, de cima ou de baixo. O que justifica então o apoio cínico de diversos jornais e emissoras de TV, senão o interesse ideológico e financeiro? Parece que há golpes e golpes. Há golpes malignos de bufões vermelhos e golpes democráticos, daqueles que estão do lado certo. Que se danem os hondurenhos, suas histórias de vida e a lei, devem pensar. É uma briga de cachorro grande, em que os bichos mais à direta do canil fustigam aqueles mais à esquerda, e que hoje são maioria no continente americano.
Deve ser o primeiro caso de governo interino de intenções democráticas que sequestra um político em sua própria residência, expulsa o mesmo (de pijamas) do país, fecha empresas de comunicação, restringe as liberdades de circulação e de expressão, mata manifestantes, ataca embaixadas e dá ultimatos, como se possuísse moral pra isso. É doloroso ter que ler e ouvir pessoas querendo justificar o injustificável, fazendo contorcionismos verbais e se utilizando de trechos da Constituição hondurenha, selecionados e interpretados do modo mais conveniente, para nos convencer de que toda essa confusão foi criada em nome da ordem. Pouco adianta se o planeta inteiro condenou o golpe.

E como se faz isso? Da forma mais estúpida e novelesca possível. Escolhendo um demônio chavista já bastante ridicularizado e que, por ser caricato, pode ser mais facilmente assimilado pelos espectadores distraídos e pela classe média hipnotizada. E tudo se resume a isso. Escolhe-se um inimigo mortal, culpado por todos os problemas da região. E não se discute mais nada. Nada de contexto. Nada de embate de argumentos. É a velha disputa entre o bem e o mal, cozinhada nas redações de jornais e entregue na mesa dos brasileiros, que não precisam fazer nada, só engolir acriticamente o que dizem os colunistas iluminados e os especialistas de boteco. Método bastante utilizado por ninguém menos do que o Bush na época do 11 de setembro. Curioso que sempre ouvi dizerem que somente a esquerda fazia isso.
Todo esse trololó diplomático me trouxe a outra questão. Ao mesmo tempo em que a imprensa mundial tece elogios ao novo espaço que a nação (e não exatamente o governo, não confundamos) brasileira ocupa no cenário internacional, os órgãos da mídia tupiniquim insistem em bater na tecla de que somos um país atrasado, de bárbaros, sem força - um país nanico. Rodeado por países ainda piores. E que deveríamos ficar no lugar de sempre, ouvindo ordens de instituições externas, e do sempre confiável e bem-intencionado hemisfério norte. Como se a História não se reinventasse dia após dia. Como se o destino do Brasil fosse ser eternamente a colônia exótica cheia de mulheres atraentes. Seria cômico, se não fosse trágico.
É preciso observar que o país sempre foi o líder natural da América Latina. E com as transformações e o crescimento econômico da última década, é normal que passemos a ser ainda mais protagonistas de crises em países menores, como é o caso de Honduras. Se negar a esse papel é se conformar em ser um país de palermas, gigante territorialmente, mas com pouca voz nas decisões do planeta. Quem grita contra essa nova História (imprensa incluída), não grita de graça. Grita porque faz parte do círculo de poder que se vê ameaçado.
Ilustração: Latuff
S.
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